Teste à BMW R 1200 GS Rallye

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JoseMorgado
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Teste à BMW R 1200 GS Rallye

Mensagem por JoseMorgado » 17 mai 2017 21:44

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Respondendo ao desafio lançado pelo BMW MC PT, a S Drive Motos, concessionário BMW Motorrad Santogal, na região de Lisboa, cedeu uma novíssima, BMW R 1200 GS Rallye, para um Teste Drive e inerente apreciação exclusiva para os sócios do BMW MC PT.

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Aproveitámos o evento do BMW MC PT, "Passeio à Serra da Estrela", para assim, nas condições mais variadas, testar a R 1200 GS Rallye.

A Rallye esta disponível com uma única decoração, muito apelativa e atraente, sendo fácil atrair as atenções, mesmo daqueles que não ligam muito às motas.

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Eu fui o feliz utilizador desta Rallye, durante um fim de semana.

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Mas comecemos pelo princípio.

A R 1200 GS Rallye foi apresentada em Novembro do ano passado, no EICMA de Milão, juntamente com a R 1200 GS Exclusive.

Para além da versão Standard, e da recordista de vendas, GSA, a gama GS passou assim a contar com uma versão "Exclusive", mais luxuosa e estradista e com uma versão "Rallye", que agora experimentámos, vocacionada para o todo o terreno.

Logo nessa altura deu nas vistas, com a utilização do "estridente" Azul "Lupin", nas carenagens, quadro e depósito.

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E com o dourado, utilizado nas maxilas Brembo dos travões.

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A base de todas continua a ser a mesma, o já muito experimentado e comprovado motor Boxer de 2 cilindros opostos, com 1.170 c.c., 125 hp e 125 Nm.

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Com a circulação de gases a ser feita na vertical, de cima para baixo.

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Com a entada de ar fresco a ser feita junto ao depósito.

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Os cilindros continuam a ser refrigerados por ar/óleo.

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E as cabeças a ser refrigeradas por líquido.

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Com a presença dos inerentes radiadores.

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Ventoinha, só para o radiador direito.

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E vaso de expansão do liquido de refrigeração, transparente, para mais fácil controlo do nível .

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Para cumprir com as normas antipoluição, Euro4, este motor viu alteradas a gestão electronica da injecção e da ignição, assim como o catalisador e o silenciador de escape, mantendo os mesmos valores de potência e binário.

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Os mais experimentados, dizem que o motor ficou a perder um pouco a baixos regimes, mas eu, não notei nada.

A caixa de 6 velocidades, com embraiagem multidisco, deslizante, em banho de óleo, também foi "melhorada", estando agora mais "dócil".

No painel de instrumentos, privilegiando a economia de combustível, aparece a "Recomendação de mudança para uma velocidade superior".

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O "Quick Shifter", ou o "Assistente de mudança de velocidades Pro", é um exta que se mantêm disponível, agora mais suave.

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A transmissão final também continua a ser por veio e diferencial, sendo a suspensão traseira "Paralever", com amortecedor WAD, "amortecimento variável em função do curso" e monobraço oscilante articulado, em alumínio fundido.

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E a suspensão dianteira utiliza o patenteado sistema "Telelever", com braço oscilante ancorado no bloco do motor e amortecedor central.

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A direcção mantem a utilização de um amortecedor.

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A travagem dianteira é assegurada por 2 discos flutuantes, e pinças de montagem radial Brembo, de 4 êmbolos.

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A travagem traseira utiliza 1 disco simples, com pinça flutuante de 2 êmbolos.

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A Rallye, assim como todas as BMW's, vêm equipadas com travão integral parcial.

Actuando o pedal de travão, a pinça acionada é só a traseira.

Actuando na manete direita, são acionadas, de forma combinada, e em função da gestão do Integral ABS, as pinças dianteiras e traseira.

Por outro lado, o sistema ABS Pro, um extra, gere as forças de travagem, em função, de entre muitos outros parâmetros, da inclinação da mota, permitindo, travagens seguras em curva e prevenindo também, reacções rápidas de travagem, provocadas, por sustos do condutor.

O ABS pode ser desligado, actuando num botão.

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Os comandos, são os habituais das BMW's actuais.

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Com esta mota a ter montado, o também já habitual extra, "Keyless".

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Apenas com a chave no bolso, o "ligar e desligar" da mota e o trancar da direcção, são feitos com este botão.

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A chave metálica, que está escondida no "comando", que também actua o alarme, outro extra, e salta, com o carregar num botão, continua a ser necessária para abrir o banco.

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E para trancar e destrancar o GPS, na respectiva base, mais um extra montado nesta Rallye.

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Com esta base, vem também a "roda" de comando do GPS, muito útil para "navegar" nos seus menus.

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O meu já antigo Garmin, Zumo 660, funciona perfeitamente no suporte, apesar de não ser compatível com a "roda" de comando.

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O painel de instrumentos é um LCD, muito atractivo e legível.

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Sendo apenas prejudicado, pela ligeira sobreposição do GPS, sobre a parte superior do conta-rotações.

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Da infindável lista de informações que o computador de bordo pode disponibilizar, que vão desde a temperatura exterior, à temperatura do motor, voltímetro, 3 totalizadores parciais, cronómetros vários, consumos, autonomia, velocidade instantânea, velocidade média, etc., as informações que, por defeito, são apresentadas no painel, podem ser escolhidas pelo condutor e também podem ser consultadas por acção no botão "Info", do punho esquerdo.

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Do lado direito do painel, está colocada uma tomada de corrente, que faz parte do equipamento base.

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As mãos do condutor, e os punhos, estão a salvo dos elementos e obstáculos, com as respectivas protecções, também extras.

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Os novos deflectores laterais, proporcionam uma melhoria sensível da protecção aerodinâmica do corpo do condutor.

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A posição das manetes, é regulável ao gosto de cada um.

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Tal como a inclinação do guiador, que pode variar 10 graus.

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Os espelhos retrovisores, ainda que pouco volumosos, com a sua forma de pirâmide invertida, garantem uma boa visibilidade para a retaguarda e flancos da mota.

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Novidade, comum a todos os modelos 2017 da BMW, é a presença de reflectores laranjas, nas jarras da suspensão dianteira.

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Esta Rallye estava equipada com uma excelente iluminação, proporcionada pelos faróis LED, mais um extra, muito útil.

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Os piscas LED, outro extra, estavam também presentes.

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As pegas para o passageiro, estão bem posicionadas.

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E integram o suporte para o top case da BMW.

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Tudo extas.

Também, como extras, estavam presentes os suportes para as malas laterias BMW.

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Para os amantes do todo terreno mais radicais, todos estes suportes e pegas podem ser facilmente retirados, ficando a traseira mais "clean".

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Esta BMW R 1200 GS Rallye tem muitas inovações específicas deste modelo.

Para começar, desde logo, a nova imagem cromática, com o Azul "Lupin", a única cor disponível, e as novas decorações.

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Também presentes no depósito de combustível, que tem 20 l de capacidade, dos quais 4 são de reserva.

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As zonas do quadro, junto dos poisa pés do condutor, e da bomba de travão traseiro, estão protegidas das agressões, com protecções específicas.

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Os poisa pés, e pedal de tavão, são largos, de metal com dentes, estilo enduro.

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A zona dos radiadores têm protecções específicas de aço.

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O carter está protegido.

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E aqui podemos ver que não existe descanso central.

Com isso, o visor do nível de óleo pode enganar.

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Específico é também o banco que, sendo único, é mais curto e estreito, apesar de poder acolher dois ocupantes, para privilegiar a mobilidade do condutor, em condução todo terreno.

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É possível a sua colocação, em duas alturas ao solo diferentes, bastando para tal, virar ao contrário o seu apoio dianteiro.

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Na sua parte inferior, está colocado um Kit de ferramenta básico e guardada, a "Ficha de Codificação", da suspensão "Dynamic ESA Pro".

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O espaço na traseira, que habitualmente está ocupado pelo banco individual do passageiro, está agora livre.

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Com o pormenor da designação "GS", no local habitualmente utilizado para fixar e trancar o banco do passageiro.

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A designação "GS", tão carismática na BMW, está também presente na útil protecção da parte inferior do depósito de combustível.

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Também específico, é o vidro de protecção dianteiro, muito mais pequeno, para possibilitar uma melhor visibilidade dos caminhos mais difíceis e também, para não se "embrulhar" em ramos e outros obstáculos.

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É comandado manualmente, com a possibilidade de tal ser feito em andamento.

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A Rallye traz de série, jantes raiadas em liga de alumínio, de 19'' na dianteira e 17'' na traseira, com raios montados no exterior.

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Sem alteação de preço, podem ter montados, pneus mistos ou pneus cardados.

Neste caso, estavam montados os excelentes pneus mistos, Michelin Anakee III.

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Esta mota tinha, como mais um extra, o sistema de ajuste electrónico da suspensão, "Dynamic ESA" que, mais uma vez evoluiu, e permite agora, actuando num botão, a regulação da pré-carga da mola traseira, entre o máximo e o mínimo, variando assim, de forma fácil, a altura do banco ao solo.

Tem ainda a opção de regulação automática, que mantem, qualquer que seja a carga presente na mota, a horizontalidade da mesma.

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Com esta opção, a altura do feixe de luz, dos potentes faróis LED, mantem-se sempre correcta.

Quando a opção automática não está selecionada, a altura da incidência do luz pode ser afinada, facilmente, num acessível manípulo.

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Aliada a esta acção, o "Dynamic ESA" permite ainda regular, electrónicamente, o grau de amortecimento da suspensão entre, "Soft", "Normal" e "Hard".

Conjugado com o "Dynamic ESA", esta Rallye também tinha os extras, "Modos de Condução Pro" e "Ficha de Codificação".

Esta conjugação de "altas tecnologias", permite seleccionar, 5 modos de condução, "Rain", "Road", "Dynamic", "Enduro" e "Enduro Pro", que conjugam, de diferentes modos, as "ajudas" electrónicas, ABS e ASC (Controlo Automático de Estabilidade), com os modos de resposta ao acelerador e com os modos de amortecimento do "Dynamic ESA".

No modo "Enduro Pro", disponível apenas com "Ficha de Codificação" ligada, os parâmetros acima referidos são conjugados, e gravados, ao "gosto" do utilizador.

Mantendo-se assim disponíveis, sempre que aquele extra está conectado.

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A Rallye que experimentei, era uma "Full Extras".

Para além dos extras já referidos, também estavam presentes:

"Hill Start Control", controlo de arranque em subida, que não deixa a moto descair, mesmo largando ambos os travões.

"Cornering ABS Pro", que altera o funcionamento do ABS, em função da inclinação da mota.

Luz de condução diurna LED.

Luzes automáticas.

Sistema de escape cromado.

Punhos aquecidos.

RDC, Controlo de Pressão dos Pneus.

Computador de Bordo.

Cruise Control.

Sistema de alarme anti-roubo.

Para quem queira, ainda é possível "montar", sistema de escape Akrapovic, aros de protecção do motor, GPS Navigator V e protecção de carter mais envolvente.

Mas a experiência começou na 6ª Feira à hora do almoço, à porta da S Drive de Alfragide, com a entrega, muito atenta e simpática, do João Abreu.

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Quando nos sentamos na R 1200 GS Rallye, a primeira impressão que temos, é de estarmos aos comandos de uma mota "pequena", pois a posição de condução, mais chegada à frente, com as pernas mais junto ao depósito e os pés bem assentes no chão, contrasta com as sensações de "enorme", da sua irmã GSA, que eu já experimentei.

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Para essa sensação, também muito contribui o "pequeno" vidro frontal que, quando regulado na sua posição mais baixa, quase que desaparece da nossa visão.

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Logo que se liga o motor, o som que se ouve é o já habitual, mas entusiasmante, "rugido" rouco, com algumas "pinceladas", de gritar agudas, sempre que se abrem, um pouco, as borboletas da admissão.

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A 1ª é engatada sem qualquer dificuldade e, novidade da versão 2017, sem "sobressaltos" de maior.

A resposta ao acelerador é, mesmo a movimentos suaves, muito enérgica, principalmente se estivermos no modo "Dynamique", "Dyna", o modo que, passado pouco tempo, se usa como "normal".

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As trocas de caixa, ascendentes e descendentes, com a utilização normal da embraiagem, são de uma suavidade irrepreensível, com a manete a apesentar um "toque", muito leve e suave.

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Grande foi a evolução que esta transmissão primária já conheceu, desde a sua aparição em 2013.

Em cidade, com muito ou pouco trânsito, esta R1200 conduz-se como uma mota muito mais "pequena" pois, sem malas, sem vidro frontal e, quando parada, com os pés bem assentes no chão, parece quase uma "bicicleta".

No entanto, quando rodamos, mesmo que pouco, o acelerador, de imediato voltamos à realidade, e sentimos o binário e o rugido, deste excelente Boxer.

Nos pisos mais degradados, a primeira sensação é estranha.

Mesmo no modo "Soft", sentem-se todas as imperfeições do solo, fruto de uma suspensão reforçada e mais seca e, talvez, da menor "macieza" deste novo banco Enduro.

Logo que se acelera, e começamos a utilizar o "Quickt Shift" desta GS, mais uma surpresa, desta vez agradável.

A eficácia do sistema, e as sensações de aceleração e desaceleração que proporciona, sempre com muita rapidez e conforto, sem falhas ou sobressaltos, cativam-nos de imediato para a sua utilização "obrigatória" no dia a dia.

Até a sonoridade é entusiasmante.

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A única crítica que poderemos fazer, e que impede que o "Assistente de Mudança de Velocidades Pro" seja perfeito, é talvez alguma "rigidez" do selector das velocidades que, se o calçado utilizado pelo condutor, for demasiado "ligeiro", poderá fazer-se notar no respectivo pé.

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Quando se utiliza a embraiagem normalmente, tal já não acontece, apesentando-se, nessas situações, muito "macio".

Assim, em qualquer arranque, é com uma rapidez estonteante, que se ultrapassa tudo e todos.

O contrário também acontece, ou seja, as reduções, sem embraiagem, são um primor e, até os "toques" de acelerador, são audíveis.

Logo que entrei nas vias rápidas e circulares, à volta de Lisboa, mais uma boa surpresa.

Em resposta às excelentes qualidades do motor e da transmissão, a acção da ciclística e da suspensão mantêm a Rallye sempre sobre "carris" e, mesmo a altas velocidades, quando o piso se degrada, tudo se mantem, sem qualquer esforço para o condutor, perfeitamente controlado e seguro, fazendo com que as coisas "aconteçam", com uma naturalidade impressionante.

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Mesmo a protecção aerodinâmica que, a altas velocidades e com as reduzidas dimensões do vidro da Rallye, era espectável provocar alguma "tareia" de vento, foi uma agradável surpresa.

Com o vidro na posição mais elevada e fruto da excelente protecção dos novos deflectores laterais, tudo se passa de forma muito agradável, chegando eu a pensar, para quê, vidros maiores numa GS?

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Foi assim, com elevadas espectativas, que saí com a Rallye de casa, no Sábado bem cedo.

O destino foi, o "Passeio à Serra da Estrela", do BMW MC PT.

A noite tinha sido de tempestade, mas a madrugada estava promissora.

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Depois da travessia da Ponte Vasco da Gama, onde pude constactar, mesmo a alta velocidade, a pouca sensibilidade ao vento lateral que a Rallye apresenta, pois os restos da "tempestade", aqui, ainda se faziam sentir, a primeira parte do percurso foi feito pelas estradas nacionais do Alto-Alentejo, sempre a um ritmo muito elevado, mas muito seguro e confortável.

As qualidades da Rallye, experimentadas no dia anterior, foram aqui potenciadas.

A excelente resposta do motor e da transmissão, com um "Quick Shift", a fazer rapidamente esquecer a existência da embraiagem, proporcionaram, muito conforto e descontracção.

No dia anterior, tinha "afinado" a inclinação do guiador para a posição "0", a mais baixa e recuada, o que possibilitou uma condução ainda mais descontraída, e confortável, nas estradas rápidas por onde passámos.

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Mesmo no final, apareceram as primeiras curvas, apertadas e retorcidas que, com muita desenvoltura, foram sendo transpostas, a ritmos cada vez mais rápidos, só limitados pelo "tocar" das botas no chão.

Aqui, sempre em "Dynamic", mas actuando no botão da suspensão, e alternando entre os modos "Normal" e "Hard", em função do estado do piso, tudo se passava na perfeição, com grande rapidez e satisfação da resposta.

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Parecia que aquelas curvas tinham sido feitas, de prepósito, para a Rallye.

Rapidamente, cheguei à área de serviço de Vila Velha de Rodão, na A23, um dos pontos de encontro do passeio.

Foi assim, um enorme prazer, fazer estes primeiros 200 km.

Como já estávamos atrasados, os 100 km que faltavam para o destino dessa manhã, o Museu do Queijo, em Peraboa, Covilhã, foram feitos em AE, um "pouco" acima dos limites legais de velocidade.

Na AE, a Rallye não se assustou e, em modo "Dynamic" e "Hard", parece uma super-desportiva a negociar as curvas "apertadas", assim como as longas subidas e descidas existentes na A23, entre Belver e Vila Velha de Rodão.

Mais uma vez, e apesar do vidro frontal ser mínimo, o desempenho aerodinâmico do conjunto dianteiro foi espectacular e, apesar da velocidade, nunca senti turbulências significativas, nem nunca fui obrigado a grandes esforços no capacete, braços, tronco ou mãos.

Parecia que, quanto maior a velocidade, maior a protecção do conjunto frontal.

Muito bom, o trabalho desenvolvido pela BMW nesta área.

Só fui obrigado a parar porque, passados alguns, poucos km's, a autonomia apresentada pelo computador de bordo, que antes estava nos cento e muitos km's, passou para os 20 km, acendendo o avisador da reserva.

Tive assim que parar na primeira bomba que apareceu.

Tinha feito, 224 km, desde que atestei em Lisboa.

Uma vez reabastecida, foi novamente sobre carris, que a Rallye percorreu os restantes km's da A23, até à saída para o Ferro, Peraboa, perto da Covilhã.

Apesar de ser uma mota vocacionada para todo o terreno, a Rallye, em modo "Dynamic e "Hard" parecia uma mota de autoestrada.

Depois da saída da AE, as estradas secundárias até Peraboa, já foram negociadas em "Normal" e "Soft", mas sempre em "Dynamic" onde, apesar de algo seca, a suspensão absorvia bem os buracos e empedrados existentes.

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À chegada a Peraboa, a "ligeireza" e maneabilidade da Rallye, foram uma grande mais valia para a estacionar, nas apertadas e desniveladas ruas da aldeia.

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Depois da visita e prova de queijos no Museu, seguimos para a Covilhã, e depois para as Penhas da Saúde, para o almoço serrano que nos esperava.

À medida que fomos subindo, a temperatura foi descendo rapidamente.

Passámos, dos amenos 20 graus na Covilhã, para uns gélidos 4 graus.

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Também o nevoeiro marcou presença, impossibilitando a visibilidade correcta da estrada e da paisagem.

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Como o piso estava molhado, mudei para o modo de condução "Rain".

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A mota ficou muito mais "suave", na reacção aos movimentos do acelerador.

Experimentei depois o modo "Road", que mantive, pois pareceu-me o mais correcto e agradável para aquela situação.

Com o frio e o nevoeiro que apanhámos, notei a menor protecção, contra os elementos, desta Rallye, principalmente, no capacete, mas também no tronco, braços e pernas.

Felizmente, os punhos aquecidos estavam a funcionar bem.

As pequenas dimensões das carenagens e do vidro frontal, afinal ainda têm alguma importância.

Depois do almoço, o nevoeiro e o frio mantiveram-se no topo da Serra da Estrela, pelo que tive de vestir alguma roupa quente.

Logo que descemos, a temperatura voltou a aquecer, obrigando-me a parar, para dispensar a roupa quente.

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Desde as Penhas da Saúde, até à Sertã, sempre por estradas nacionais e municipais, foram mais de 150 km, com curvas e conta curvas, e pisos, para todos os gostos.

Umas a descer, outras a subir, umas apertadas outras largas, mas também pontes, viadutos, aldeias, estradas lisas, esburacadas ou empedradas.

De tudo encontrámos.

Sempre em bom ritmo, com o vidro na posição mais baixa e uma excelente visibilidade para o piso.

Com tudo isto, os Michelin Anakee III foram testados até quase ao limite, isto é, até quando as botas batiam no chão.

Sempre em "Dynamic", para uma melhor resposta à saída nas cuvas, mas alternando a suspensão entre, "Soft" e "Road", em função do piso, pude constactar a grande aptidão da Rallye para este "ambiente".

As mudanças de angulo são rapidíssimas e, com o novo veio de equilíbrio, nem se sente a reacção ao momento de inercia.

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As travagens, com a ajuda do ABS "inteligente", sempre muito potentes, mas muitos doseáveis, e seguras.

As reduções, com "Quick Shift", e embraiagem deslizante, um primor.

À saída das curvas, as acelerações, ajudadas pelo ASC, eram sempre espectaculares.

Depois de centenas e centenas de mudança de caixa, não ter que utilizar a embraiagem, foi uma mais valia importante para o conforto e relaxamento do condutor, factor muito importante, para a segurança em viagens mais longas.

Igualmente, à entrada das curvas, nas necessárias reduções de caixa, o sistema de "Assistência à Mudança de Velocidades Pro" da BMW, faz um "trabalho" muito "limpo", não provocando as habituais descompensações no equilíbrio dinâmico da mota, nem quaisquer alterações na trajectória da mota.

Neste tipo de "terrenos", por vezes mais "apertados", também tive a preciosa ajuda da suspensão "Telelever" da dianteira, pois, mesmo que se tenha de travar mais a fundo, até dentro da curva, a suspensão não afunda, mantendo a geometria da mota constante, assim como a trajetória na linha inicialmente prevista.

Aliando a tudo isto, um centro de gravidade muito baixo, proporcionado pelo motor Boxer, e todas estas curvas foram horas grande prazer de condução.

Depois da Sertã, apanhámos a N2, onde a tipologia da estrada mudou radicalmente, passando a ter curvas largas e rápidas, com bom piso e onde a Rallye, passando ao modo de suspensão, "Normal" e "Hard", sempre no modo de condução "Dynamic", se sente, também, como peixe na água.

Mais uma vez, ainda que de outra forma, foram km's de grande satisfação na condução.

Em Abrantes, a luz da reserva já vinha acesa, sendo necessário novo abastecimento.

Tinham sido feitos, mais 258 km, entre abastecimentos.

Daqui segui para a A23 e, foi só mudar de "Soft", que utilizei na zona urbana de Abrantes, para "Hard", e acelerar até ao Entroncamento sempre, com conforto aerodinâmico e, sobre os "carris" que a suspensão "Dynamic ESA Pro" proporcionavam.

Aqui, outra vez em estrada nacional, alternado entre, "Soft" e "Normal", passei pela Golegã e parei em Santarém para jantar, agora, novamente em "Soft", que as obras autárquicas não perdoam.

Depois do jantar, já de noite, segui para Lisboa, e pude experimentar mais uma das qualidades da Rallye.

A excelente iluminação que os potentes faróis LED proporcionam, muito importante para o conforto e segurança do final de um dia que já ia longo.

O dia seguinte era Domingo, e assim fui ao Meeting Point do BMW MC PT, na Marina de Cascais, aproveitando para fazer a marginal, em ritmo de passeio, muito descontraído, testando a óptima elasticidade do motor que, desde as mais baixas rotações, oferece um excelente binário.

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Na 2ª feira de manhã, voltei à S Drive para, depois de um fim de semana, a fazer só aquilo que mais gosto......, entregar a BMW R 1200 GS Rallye ao João Abreu.

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Foram quase 800 km de grande prazer onde, practicamente, só parei para atestar o depósito de combustível, comer alguma "coisinha" e dormir, pouco, para não perder tempo.

A quase tudo o que se queira fazer com esta mota, ela, e as afinações electrónicas disponíveis, respondem com a certeza de ter a resposta mais eficaz.

Com tudo isto, fiz uma média de 5,9 l/100 km.

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Com abastecimentos a cada, 200 ou 260 km, dependendo da velocidade e da energia, que se queira imprimir, e transmitir, ao acelerador da Rallye.

A aposta da BMW em criar uma GS mais "ligeira", vocacionada para o todo terreno, mas só testada por mim em asfalto, foi conseguida.

É uma mota que, beneficiando de todos os extras disponíveis para este modelo, e de toda a electrónica que a BMW Motorrad conseguiu desenvolver, apresenta uma polivalência excepcional.

Consegue sentir-se com grande à vontade em todos os ambientes, mesmo naqueles para os quais não foi pensada.

Para tal, basta pressionar o botão do punho esquerdo, que actua na suspensão e no botão do punho direito, que actua nos modos de condução, para que ela mude, radicalmente, de caracter.

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Falta-lhe só capacidade de carga e alguma protecção contra as intempéries.

Tudo resto foi resolvido com grande sucesso, para a felicidade dos proprietários.

Fora de estrada, para quem a experimentou nesse ambiente, também marca muito pontos.

Apesar de não ser uma peso pluma, ainda assim anda nos 240 kg mas, com as "reduzidas" dimensões, as grandes capacidades do motor e da transmissão e com o excelente desempenho da ciclística e da suspensão, tudo conjugado, com as configurações electrónicas "Pro", o resultado está muito acima do esperado.

Vai a sítios que ninguém está à espera, desenvencilhando-se, de forma muito enérgica, de todos os obstáculos que possam aparecer.

Para esses terrenos, sem alteração de preço, pode vir com pneus de tacos.

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Eu, para poder testar todas essas qualidades, terei de primeiro fazer uns cursos de TT.

Para finalizar, o BMW MC PT agradece a excelente colaboração da Santogal e do seu concessionário, S Drive Motas, mais concretamente aos, Dr. José Manuel Prates, Rodrigo Amaral e João Abreu.

Só assim, foi possível testar esta espectacular BMW R 1200 GS Rallye, e partilhar aqui, as minhas impressões.
José Morgado
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Re: Teste à BMW R 1200 GS Rallye

Mensagem por amandio » 18 mai 2017 09:05

Oba! Que detalhada reportagem... parece que passaste um fim de semana bem divertido a estudar e a testar a mota :D
Triste vida a tua :mrgreen:
Amândio de Aveiro
(da Madeira, que já esteve em Oeiras e agora em Oslo)
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JoseMorgado
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Re: Teste à BMW R 1200 GS Rallye

Mensagem por JoseMorgado » 18 mai 2017 11:30

Pois é!

Se me "deixassem", era "isto" à semana e ao fim de semana para descansar!!
José Morgado
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luiz silva
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Re: Teste à BMW R 1200 GS Rallye

Mensagem por luiz silva » 18 mai 2017 15:29

José Morgado,

parabéns, que reportagem espectacular!!

Parecia que ia eu a pilotar a GS...até encolhia os dedinhos na hora de raspar as botas.

Quanto a mota, impecável...não deve ser difícil instalar um cavalete central a quem desejar.

Abçs
Luiz

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Re: Teste à BMW R 1200 GS Rallye

Mensagem por JoseMorgado » 18 mai 2017 17:23

Não perguntei, mas deve ser só comprar as peças e montar!!
José Morgado
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luiz silva
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Re: Teste à BMW R 1200 GS Rallye

Mensagem por luiz silva » 18 mai 2017 19:41

Particularmente, não deixo a mota no descanso central... muito pesada para mim, além de que nunca tive problemas.

Essa GS Rallye com os pneus para TT...vou sonhar com ela!!

Abcs
Luiz

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Re: Teste à BMW R 1200 GS Rallye

Mensagem por jpgoncalves » 18 mai 2017 21:05

Excelente reportagem Zé, parabéns! 8)
João Paulo Gonçalves
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Re: Teste à BMW R 1200 GS Rallye

Mensagem por amandio » 19 mai 2017 06:47

jpgoncalves Escreveu:Excelente reportagem Zé, parabéns! 8)
Olha quem é ele :D
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Re: Teste à BMW R 1200 GS Rallye

Mensagem por JoseMorgado » 19 mai 2017 08:42

amandio Escreveu:
jpgoncalves Escreveu:Excelente reportagem Zé, parabéns! 8)
Olha quem é ele :D
Quem é vivo sempre aparece :mrgreen:
É verdade, o João Paulo está a começar a voltar ao "activo"!!
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Re: Teste à BMW R 1200 GS Rallye

Mensagem por josecunha » 19 mai 2017 09:12

Boa descrição, muito boa mesmo :!:

Continuo a achar que a autonomia é curta e, porque sou mais antigo, gostaria dos piscas à moda antiga.

A verdade é que a BMW tem investido muito na tecnologia e tem dado bons resultados, continua a ser a mota a abater pela concorrência, eles que se cuidem.

Gostos à parte a mota é linda, no entanto para mim seria o modelo "Exclusive" que me assentaria melhor.

Mais uma vez parabéns pelo relato tecnológico e turístico. 8)
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