Teste à F800GS 2016

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JoseMorgado
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Teste à F800GS 2016

Mensagem por JoseMorgado » 28 mar 2016 00:39

Teste à F 800 GS de 2016


Durante um recente fim de semana prolongado, experimentei a versão mais actualizada da F800GS.

Como já é costume, foi a MOTOMIL que proporcionou mais esta interessante oportunidade.

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A F800GS tem uma presença muito apelativa, que transmite bem o caracter versátil desta mota, quer para utilização em estrada, quer para o fora de estrada.

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O motor é um bicilíndrico, transversal em linha, a quatro tempos, com refrigeração líquida, quatro válvulas por cilindro, acionadas por duas árvores de cames à cabeça e lubrificação através de cárter seco.

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Com cilindrada de 798 cc.
Apresenta um potência máx. de 85 cv, às 7.500 rpm., e binário max. de 83 Nm, às 5.750 rpm
A taxa de compressão é 12.0 : 1

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A transmissão primária tem embraiagem multidisco, em banho de óleo.

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E o acionamento é mecânico.

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Conta ainda com uma caixa de seis velocidades, com veio de sincronização integrado no cárter.


Visualmente, destacam-se:

O quadro, em treliça, pintado de encarnado, que "segura" o motor, que é auto-portante.

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A mola do amortecedor traseiro, na mesma cor.

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A protecção do radiador, com carenagem lateral, de aspecto galvanizado, estilo GS.

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Os colectores de escape, em aço inox, cor "bronze".

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A panela de escape, de grandes dimensões, é em aço inox, e "produz" uma sonoridade muito apelativa.

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A suspensão traseira conta com um amortecedor WAD (amortecimento dependente do curso), com afinação hidráulica da pré-carga da mola, por manípulo auxiliar.

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A afinação da expansão do amortecedor, por parafuso, só possível com chave de fendas e com acesso difícil.

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Ligado à suspensão traseira, está um braço oscilante de alumínio fundido.

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A suspensão dianteira, sem afinação disponível, conta com uma forquilha invertida, jarras de cor dourada, bainhas de 43 mm, e protecção ao estilo Super Motard.

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A traseira é minimalista.

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O estilo GS está bem presente.

Na possibilidade de desligar o ABS, que é fornecido de série.

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Nos guardas lamas dianteiros.

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Nos piscas de led's. Um Extra.

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E nos faróis, assimétricos.

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As jantes são pretas, com raios.

À frente de 21''.

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E travagem, com dois discos flutuantes de 300 mm, e pinças de êmbolos duplos, Brembro.

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E a trás, de 17'.

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A transmissão secundária é por corrente, com O-rings e amortecimento no cubo da roda.

Os raios não são cruzados, pelo que as jantes não permitem a utilização de pneus tubeless.

Aqui, o descanso central, fornecido de série, muito útil para, p. ex., fazer a manutenção da corrente de transmissão secundária.

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A travagem traseira é assegurada por um disco, de 265 mm e pinça flutuante, de êmbolo único, Brembo.

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As protecções, vocacionadas para a utilização todo o terreno, estão presentes nas cablagens e tubagens dianteiras.

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Na bomba de travão traseiro.

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Nas protecções das mãos. Mais um Extra.

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Na protecção de carter, em plástico.

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Que, apesar de tudo, deixa uma grande parte da zona frontal do motor desprotegida, nomeadamente, o filtro de óleo.


O banco é uma peça única, bicolor.

É confortável e ergonómico, permitindo um bom posicionamento do condutor, quer a andar, quer parado.

Nesta mota, não existe a possibilidade de alterar o posicionamento do banco, nomeadamente na altura, que é fixa, a 880 mm do solo.

Em alternativa, na altura da encomenda da mota, pode ser escolhida uma das quatro opções fixas disponíveis, com alturas que variam, entre os 820 mm e os 920 mm.

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Existe ainda a possibilidade de escolher uma versão com suspensão rebaixada, indicada para os condutores com estaturas mais baixas.


O bocal de enchimento do depósito de gasolina está posicionado, lateralmente, muito próximo do banco, o que, quando a agulheta da bomba não funciona correctamente, pode provocar salpicos indesejáveis para o revestimento do mesmo.

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Na parte inferior do banco, as ferramentas têm uma localização dedicada, que permite um armazenamento e acesso muito práctico.

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Por baixo do banco, está também guardado o manípulo.

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Que, uma vez acoplado aos orifícios da rodela de afinação da pré-carga da mola, facilita o seu manuseamento.

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Os poisa-pés, originalmente cardados, ao bom estilo da GS's, tinham montados o Extra, mais um, com inserções de borracha, que os torna muito macios e confortáveis.

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O vidro da frente, de dimensões muito reduzidas, só garante, alguma protecção, até aos 130/140 km/h.

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Os comandos, são os típicos das BMW's actuais.

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As manetes são reguláveis, na distância a que estão dos punhos.

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O painel de instrumentos apresenta-se muito legível, com muita informação disponível, onde, para além dos dois totalizadores parciais, da indicação da temperatura exterior, temperatura do motor, nível de gasolina, consumo e velocidade, médios e instantâneos, velocidade engrenada, etc, etc, comuns na BMW, existe mesmo um menu que nos disponibiliza, um cronómetro, com os tempos por volta.

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Tem, no entanto, uma falha importante.

Nunca nos indica a autonomia disponível, em função da quantidade de combustível existente no depósito.

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Apresenta apenas, assim que a luz da reserva se acende, um conta km's, que nos vai indicando a distância percorrida, desde o início daquela indicação.

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A ignição está localizada na dianteira do topo do deposito de combustível, junto à coluna da direcção, muito mais acessível do que normalmente acontece, quando a mesma está posicionada no topo da forquilha dianteira.

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E tem, no seu lado esquerdo, uma tomada de corrente, muito útil para ligar, por ex., um GPS.

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Os espelhos retrovisores estão bem posicionados, e têm um formato que permite uma boa visibilidade para o que se passa nas "traseiras".

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Para além dos extras já referidos, estavam ainda montados:

Uma base para o Top Case, muito bem integrada na traseira da mota.

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Um Top Case, Vario, com encosto para o pendura e que permite variar o seu tamanho, em função das necessidades.

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Os apoios para malas laterais Vario, que, como não estavam montadas, estragavam um pouco a estética da traseira.

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E, o aquecimento dos punhos, em dois níveis.

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Quando se pega na F800GS, a primeira impressão que se tem é de se estar a pegar numa mota muito alta, mas estreita.

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A altura do banco é muito idêntica à de uma R1200GSA, tem apenas, um cm a menos.

Pesa é menos 45 kg, o que se nota bem.

A posição de condução é a típica das grandes trail, muito descontraída, onde as pernas se encaixam muito bem, quer no banco, quer no depósito, e onde todos os comandos "aparecem", com grande naturalidade, nas pontas dos dedos.

Logo que se começa a andar, e desde as primeiras rotações, nota-se a grande vivacidade do motor, sempre disponível para, em resposta a qualquer solicitação de acelerador, subir de rotação e levar a mota para diante.

Os arranques, com grande exuberância, são uma das actividades normais desta F800GS.

Em ambiente urbano, entre os carros, no meio do transito, é grande a agilidade que esta mota apresenta, permitindo circular sempre com grande desenvoltura.

A suspensão, apesar de um pouco seca, filtra bem as irregularidades dos empedrados, buracos, carris, etc.

É também com grande facilidade que a roda de 21'' sobe os passeios, para encontrar, sempre, os melhores locais para estacionar.

Mas não se pense que F800GS só sabe andar em grandes acelerações.

O seu motor é muito "dócil", desde as mais baixas rotações, permitindo rodar calmamente e sem "reclamações", a baixa velocidade, mas com mudanças altas engrenadas.

Quando se sai da cidade e se começam a negociar as vias rápidas adjacentes, as altas velocidades chegam muito rapidamente.

Aqui, sem necessidade de amortecedor de direcção, a estabilidade direcional é notável, permitindo uma condução descontraída, mesmo em curvas negociadas a grande velocidade.

A suspensão também ajuda muito neste desempenho, mantendo o posicionamento da mota muito constante e comunicando uma sensação de grande confiança ao condutor.

Nas travagens, a acção das pastilhas sobre os discos é muito forte, mas ao mesmo tempo, muito doseável, permitindo controlar, muito intuitivamente, as desacelerações.

Mesmo, nas solicitações mais fortes, e apesar de não existirem ajudas electrónicas à actuação da forquilha dianteira, o afundamento não é muito pronunciado, permitindo que não haja grandes variações na geometria da F800GS.

Quando as distâncias das viagens aumentam, e o ritmo se mantem elevado, começam a aparecer as primeiras limitações desta mota.

Em primeiro lugar, como a proteção do reduzido vidro defletor frontal é diminuta, quando se passam os 130/140 km/h, a pressão exercida sobre o capacete, ombros, braços e mesmo, sobre a parte superior do tronco, é muito grande, e é, com dificuldade, que conseguimos manter o esforço físico necessário para nos mantermos em cima da mota.

O "Vidro deflector Touring", de dimensões maiores, disponível na lista de Extras, mas não presente nesta F800GS, é uma opção que se torna indispensável adquirir.

Em segundo lugar, acima daquelas velocidades, as vibrações que o motor transmite ao guiador são muito notadas, criando algum desconforto, que se vai agravando com o passar do tempo.

Aliado a tudo isto, a ausência de cruise-control, que obriga a manter, permanentemente, a mão direita com grande pressão sobre o respectivo punho, fazem, da circulação em autoestradas, um pequeno que, com o passar dos km's, se torna, num grande sacrifício.

Pelo contrário, quando entramos em estradas secundárias, ou mesmo em estradas de montanha, com curvas e contra-curvas, onde as variações de ritmo são uma constante, a vivacidade da resposta do motor ao acelerador e a sonoridade emitida pelo escape são, uma verdadeira delicia.

As curvas vão sendo negociadas a ritmos muito elevados, pois o quadro, com a ajuda da estrutura autoportante do motor e da resposta dada, pela suspensão e pelos pneus, permite, com toda a confiança, chegar a inclinações exuberantes e sair das curvas, sempre, em grande velocidade e estilo.

Igualmente, como no meio urbano, se a toada for calma, a F800GS também roda muito bem a baixas velocidades e mudanças altas, fazendo, mesmo os percursos mais retorcidos, com grande fluidez, descontração e agradabilidade.

Não sendo esta mota uma Touring se, devidamente equipada com, "Vidro deflector Touring", malas Vario ou de alumínio, saco de depósito, protecções de mãos e respectivos deflectores grandes e um bom GPS, proporcionará, de certeza, uma utilização cómoda para as tiradas mais longas.

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Os consumos deste motor são bastante comedidos.

Neste teste, onde fiz cerca 670 km, a ritmos nem sempre muito recomendáveis, a média geral foi de 4,5 l/100 km, o que permite, com os 16 l do depósito, fazer mais de 300 km entre abastecimentos, isto sem contar com reserva toda.


Neste teste, não experimentei o desempenho todo o terreno da F800GS, mas quem já o fez, diz que é muito bom.

Nesta mota são bem combinadas, as excelentes prestações do motor, quadro e suspensões, com um peso e tamanho muito comedidos.

Fica para a próxima, como pretexto para ganhar experiência nesse estilo de condução!!

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Para finalizar, mais um Obrigado à MOTOMIL!!
José Morgado
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Re: Teste à F800GS 2016

Mensagem por luiz silva » 28 mar 2016 19:20

José,

excelente reportagem!!

Aparentemente tem um apelo off-road muito forte, muito bom torque, alta, magra, rodas raiadas e muitos

acessórios para quem gosta de estradas de chão.

É a mota mais vendida da BMW no Brasil.

Abçs
Luiz

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JoseMorgado
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Re: Teste à F800GS 2016

Mensagem por JoseMorgado » 28 mar 2016 19:31

Olá Luiz,

Esta, com que eu andei, com os pneus que tinha, estava mesmo era preparada para andar no alcatrão!!
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luiz silva
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Re: Teste à F800GS 2016

Mensagem por luiz silva » 29 mar 2016 16:51

José,

amigos tem mota como esta, de modo que tenho alguma experiência com ela.

Para mim, é muito alta e tive a nítida impressão que o centro de gravidade é muito elevado, dificultando curvas de alta e média velocidades.

Não temos a opção de suspensão mais baixa.

Já no off-road, como se pilota em pé, parece ser muito "manobrável".

Abçs
Luiz

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Re: Teste à F800GS 2016

Mensagem por amandio » 04 abr 2016 09:51

Mais uma excelente e detalhada reportagem na 1ª pessoa! :D
Amândio de Aveiro
(da Madeira, que já esteve em Oeiras e agora em Oslo)
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Re: Teste à F800GS 2016

Mensagem por JoseMorgado » 24 jan 2017 10:59

Aqui o link com o teste, que os "Sousas Adventure" fizeram à F800GS, no seu "Canal" do YouTube.

https://youtu.be/YhwCvEPBE7I

Outros vídeos dos "Sousas Adventure", no seu "Canal":

https://www.youtube.com/channel/UCQo8a7 ... FNNh2azv2g
José Morgado
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Re: Teste à F800GS 2016

Mensagem por Sousas Adventure » 24 jan 2017 11:37

JoseMorgado Escreveu:Aqui o link com o teste, que os "Sousas Adventure" fizeram, à F800GS, no seu "Canal" do YouTube.

https://youtu.be/YhwCvEPBE7I

Outros vídeos dos "Sousas Adventure", no seu "Canal":

https://www.youtube.com/channel/UCQo8a7 ... FNNh2azv2g
Obrigado pela divulgação companheiro :wink:






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