Volta ao Mundo de Francisco Sande e Castro

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MensagemEnviado: 04 Fev 2014 15:23
Assam - Nordeste da Índia
"Caçadores de "palmo e meio" com arco e flecha mostram, orgulhosos, as presas do dia que incluem um coelho, dois castores, três aves e um rato, tudo comestível."

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João Luis
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MensagemEnviado: 05 Fev 2014 08:41
j luis Escreveu:"..., tudo comestível."

Nestas paragens os habitos alimentares são ligeiramente diferentes :mrgreen:
Amândio de Aveiro
(da Madeira, que já esteve em Oeiras e agora em Oslo)
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MensagemEnviado: 10 Fev 2014 19:49
10 de Fevereiro de 2014

Manipur



Entrei em Manipur pelas 10,30 da manhã. Eles têm uma espécie de posto fronteiriço mas, tal como tinha feito em Nagaland, no dia anterior, nos dois ou três “check points” por onde passei, apanhei os guardas distraídos e, antes que tivessem tempo de me mandar parar ... ala que se faz tarde. O problema é que por vezes ficam a fazer-nos interrogatórios durante horas e corria até o risco de me mandarem para trás.
Esta província Indiana no extremo oriental do país, cuja capital é Imphal, tem mais de 2,5 milhões de habitantes que falam, uma língua própria, o manipuri. A população é formada por uma enorme variedade de tribos, todas elas com traços fisiológicos mais orientais que indianos.
Há décadas que vários grupos pedem que a província se torne independente da república Indiana. Um dos problemas é que cada grupo pretende instalar o seu regime que a maior parte das vezes não coincide com o dos adversários.
O ambiente é tenso.
Na estrada até Imphal, os jipes que passam por mim ostentam quase todos enormes bandeiras de diferentes partidos, todos eles contra a presença indiana em Manipur. Tinham-me avisado para não fazer esta estrada de noite, de forma nenhuma, pois há muitos assaltos por homens armados.
A estrada é de montanha, esburacada, e volta a ter partes que não estão alcatroadas de maneira que as médias são muito baixas. Para chegar a Moreh, a vila fronteiriça, antes de anoitecer, não podia perder muito tempo com os “check points” mas, a partir de Imphal foi impossível evitá-los. Ainda passei o primeiro à “sucapa” mas dois ou três quilómetros depois militares mandaram-me parar no meio da serra. Tinham sido informados que eu passara o “check point” sem parar. Foram simpáticos, recomendaram que parasse nos próximos e mandaram-me seguir. A partir daí fui mandado parar mais umas três ou quatro vezes e, de cada uma, pediram-me passaporte, verificaram vistos e revistaram a bagagem. Nesta estrada de Imphal até à fronteira, muito controlada por militares indianos, já não aparecem as bandeiras nos jipes. Vemos antes carros e camiões carregados com mercadoria trazida de Myanmar a arrastarem-se nas subidas e a deixarem um rasto de cheiro a Ferodo queimado nas descidas. As transmissões são um dos órgãos que sofre nas subidas acentuadas devido ao peso que levam e passei por um camião ao qual já tinham desmontado o diferencial, pousado no alcatrão, com os passageiros a esperarem calmamente na berma da estrada que a reparação ficasse concluída.
Cheguei a Moreh pelas quatro e meia da tarde, escapando a noite por meia hora. É uma vila pobre, com a maioria das casas em madeira com telhados de zinco muito degradadas. Fui até à fronteira mas tinha fechado às quatro. Recomendaram-me o único Hotel em que os quartos tinham casa de banho, mesmo sendo do estilo sujo a que estou habituado.
Jantei numa tasca em frente do Hotel a habitual galinha com arroz e deitei-me cedo porque aqui, ao contrário do que acontece no resto da Índia, fecha tudo às oito da noite.
No dia seguinte, pelas 8,30 da manhã estava na parte indiana da fronteira. O oficial de serviço informou-me que, mesmo eu tendo o visto para Myanmar, não me carimbavam o passaporte para sair da Índia sem autorização dos Birmaneses. Fui então à pendura numa pequena moto com um empregado da alfandega até ao outro lado da fronteira falar com o oficial de serviço. Antes de atravessar a estreita ponte sobre o rio que aqui separa os dois países, o homem passou do lado esquerdo para o lado direito da estrada e só então soube que iria voltar a circular pela direita, depois de andar do lado “errado” desde que entrei no Irão, cinco países atrás.
O oficial Birmanês disse não ter autorização para que eu entrasse de maneira que tive que regressar à vila e tentar enviar um mail para o meu contacto em Myanmar.
Voltei a instalar-me no Hotel onde, do outro lado da rua, numa barraca podre, havia uma espécie de Internet Café que funcionava durante as poucas horas em que havia eletricidade no local.
João Luis
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MensagemEnviado: 17 Fev 2014 19:21
16 de Fevereiro de 2014

Myanmar 3



Hoje decidi voltar a fazer um esticão grande, percorrendo as etapas previstas para dois dias num só, como forma de poupar nos custos astronômicos do aluguer do carro e condutor que transportavam o guia.
Arranquei pelas oito e meia da manhã por estradas esburacadas que se tornaram cada vez piores, num percurso de mais de 500 Km onde, nalguns troços, não conseguia fazer médias superiores a 30 Km/h. Para agravar a situação as duas ultimas horas já foram feitas de noite. Cheguei a Keng Tung às oito da noite. Foram quase doze horas em cima da moto com poucas e curtas paragens.
Na entrada da cidade estava uma menina numa esplanada improvisada a vender espetadas diversas com ótimo aspeto e ovos cozidos em que lhes tiram o interior, penso que com uma seringa, fazem uma mistura com ervas aromáticas e injetam esse liquido de volta na casca, só então cozendo o ovo. Excelentes.
Parei a moto e a menina veio logo perguntar-me se não queria jantar. Sentei-me na mesa única onde, do outro lado, a mãe cortava vegetais e pedi uma cerveja para acompanhar aquelas maravilhosas espetadas. Passados uns minutos chegaram três amigas em duas motos. Uma delas, giríssima, com um ar mais indiano que oriental, meteu conversa. Ficámos por ali a beber mais umas cervejas. Estava na universidade local a estudar física e a família vivia em Yangon, a antiga capital e principal cidade do país.
Quando partimos, para ela me mostrar onde havia um Hotel, perguntei-lhe se não queria vir na minha moto. Aceitou, encantada. Perguntei se podia ir depressa, agarrou-se a mim e respondeu: “sim, sim”.
- Não tem medo?
- Não
Adorei aquela miúda.
Pelas oito e meia da manhã parti a caminho da fronteira. A estrada era fantástica, com um piso bastante irregular mas larga e com curvas e contracurvas rápidas que me deram imenso gozo. Ainda por cima, como em Myanmar as malas iam no carro do guia, aliviando muito o peso, pude aproveitar a “Cross Tourer” ao máximo, embora limitado pelos pneus de tacos que felizmente tinha montado na Índia e sem os quais teria tido grandes problemas nos dias anteriores.
Embora o transito em Myanmar seja reduzido, outro grande contraste com a Índia, temos que rodar com cuidado pois aqui não há sinais de transito nem riscos de marcação no alcatrão. Também não há limites de velocidade, ou de álcool no sangue mas são todos bastante ordeiros e civilizados, acabando o problema maior por serem os animais à solta na estrada, que passam por vacas, cães, porcos e muitas galinhas. Para além disso por vezes apanhamos areia ou gasóleo entornado, inesperadamente, a meio das curvas. Na etapa do dia anterior tinha feito três “slides” em cima de gasóleo mas neste dia correu tudo sem sobressaltos.
Às dez e meia da manhã estava no primeiro posto de fronteira, onde tive que esperar pelo guia que só chegou uma hora depois.
Sentado a ler numa cadeira que me estenderam reparei num budista que, debaixo dum telheiro em colmo, estava a fazer massagens nas costas a outro. Como tenho tido problemas de dores nas costas, que se têm vindo a agravar, fui ter com ele e pedi se me fazia uma massagem. Fez-me pressão sobre os músculos da coluna, massajou, carregou, esticou-me, apoiou os joelhos nas minhas costas e puxou-me com força as omoplatas para trás. Gemi de dores mas, quando me levantei, parecia outro. Senti-me vinte anos mais novo. Nunca ninguém me tinha feito uma massagem assim.
João Luis
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MensagemEnviado: 17 Fev 2014 19:30
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MensagemEnviado: 22 Fev 2014 17:01

22 de Fevereiro de 2014

Laos 2



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MensagemEnviado: 24 Fev 2014 16:49
Há viagens de Sonho e esta...
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MHQC, K1200S'06
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MensagemEnviado: 25 Fev 2014 08:44
Pois é Mário... uns sonham (e eu sou desses) e outros fazem-se à estrada!
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MensagemEnviado: 28 Fev 2014 00:13
Primeiro dia no Cambodja

... O mapa indicava que a estrada iria melhorar mas, passados uns 60 Km cheguei a uma vila, junto a um rio, em que as ruas eram todas em terra batida. Pus gasolina em mais uma bomba manual ligada a um bidão e preparava-me para atravessar o rio de barco quando um rapaz me indicou que já era muito tarde para passar para o outro lado pois a estrada nessa outra margem estava em muito pior estado, com muita areia solta e o percurso até à cidade mais próxima eram perto de cem quilómetros. Decidi então ficar por ali a dormir, num pequeno “guest house” onde o banho é tomado com uma tijela com que se recolhe água num tanque existente na casa de banho e se entorna por cima. Soube-me bem depois de um dia muito suado.


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João Luis
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MensagemEnviado: 11 Mar 2014 03:22
Cambodja

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